Sexta-feira, 2 de Novembro de 2012

OLHO O ESPELHO

 

 

 

 

Olá caro leitor!

 

Deixo-me ficar quieta e calada. As sombras apertam o meu corpo e mirram-no. Há pouco olhei o espelho e não me conheci! Sim, não há nenhum sentido de relatividade entre o meu cérebro e este  corpo desconhecido. Andei nos últimos tempos distraída de mim. Foi o melhor tempo reconheço. Os meus sonhos estavam sempre primeiro, não querer ver a realidade. Hoje olhei o espelho e verifico que me estou esfumando.

 

Perante a juventude que me rodeia retraio-me para que não pensem que sou ridícula...bem mas depois rio-me e volto a mim por dias ou meses.

 

Gosto de ser um pouco louca, imaginativa e por vezes inocente. Bem depois há que dizer que tenho a outra parte que se encontra sempre alerta e, por vezes, fica remoendo por pequenas coisas que afinal no tempo certo passam a não ter importância. São as nossas fragilidades, vidros partidos que picam o nosso corpo esvaziando a nossa firmeza nos gestos e nas palavras. Não me conhecem, é isso, não me vêm. Verdadeiramente nunca me conheceram. Vou morrer um dia e pouco saberão de mim por mais que eu fale e pensem que sou espontânea. Falo, falo para acreditar que sou tal e qual assim. Puro engano...a outra fica silenciosa e triste na sua agonia.

 

É verdade há o mar para eu sentir que sou grande como ele e existo no meio de tanto esplendor. Trás-me o som que me embala, os seus vestidos brancos de noivas se espraiando e nos passeios os cães passam satisfeitos com os seus donos. É verdade existem as crianças que correm e são tão inocentes quando olham o mar! A sua pele é fina, as suas olhos falam do amor que recebem ou não. O que está para além de tudo que vislumbro e que ocupa os meus pensamentos? Que sejam felizes, que sejam crianças...

 

Acordar e esquecer o espelho, os olhos que me recriminam silenciosamente...Passo a existir novamente, a querer, a ultrapassar a imagem e ficar com o meu interior ainda intacto.

 

Tenho afinal o tempo da experiência, o tempo das lágrimas e também dos sorrisos. Olho para trás e penso: Gosto de mim...seguro a minha figura e ternamente acalento-a para que por mais algum tempo me deixe usá-la. O meu coração alegra-se com a minha ânsia de vida.

 

Quero mais do que tudo viver e deixar viver todos aqueles que me rodeiam e me amam e que sorriem por eu ser assim.

 

Abraço-vos

 

Aida Nuno

 

 

 

 

publicado por criar e ousar às 03:00
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