Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

A Fé

 Amiga Tininha,

 

        Estas linhas são só dirigidas à tua mãezinha e a ti. Cheguei ao fim do diário, que tão bem compilaste, e não podia deixar de me expressar sobre o que o meu coração sentiu ao lê-lo.

 

        Ao percorrer as páginas deste longo percurso de Fátima a Roma senti dentro de mim um certo êxtase perante uma Senhora crente e ao mesmo tempo com os pés tão bem assentes na terra. Foi a sua descrição tão lúcida perante tantos percalços e tantas bênçãos, sempre acompanhados por uma Fé inabalável, que me prendeu da primeira à última pagina. No final deste intenso diário gostaria de saber mais, muito mais. Como foram os seus últimos anos?

Se se sentiu verdadeiramente abençoada por Deus com todos os sacrifícios que fez dirigidos a todos que tanto amava e também a outros que estavam bem junto ao seu coração por diversos motivos.

 

        Durante a leitura, apeteceu-me, muitas vezes, ter estado com ela, sentar-me à sombra de uma árvore e partilhar as pequenas coisas da vida, nesse ambiente de paz que tantas vezes menciona nas suas descrições.

 

        É curioso a tua mãezinha e eu termos percorrido os mesmos lugares mas em épocas diferentes: Caldas da Rainha, Cadaval, Bombarral, Baleal e depois na sua caminhada Madrid, Barcelona, Monte Carlo, Mónaco, Provence, Nice, Cannes, Ventimigla, Florença, Roma e ainda outros pontos que, neste momento, não me recordo.

 

        Nos seus percursos mais atribulados e dolorosos nunca desanimou e essa Fé que a acompanhava é qualquer coisa de sublime. Nunca a senti profundamente nem em alturas de maior aflição e já tive algumas. Muito gostaria, antes de partir, sentir verdadeiramente essa Fé em Deus. Acredito e duvido, acredito e duvido e constantemente interrogo... mas se interrogo penso e assim sinto que existo para além das minhas pequenas vaidades e defeitos. Já tenho sentido alguns sinais e esforço-me por viver deixando um pequenino rasto, ou seja, não ter vivido só para as coisas artificiais que cada vez mais nos sufocam.

 

        Em sua memória comecei a dormir com a persiana do meu quarto levantada para que se acordar de noite poder ver o céu da minha janela. Estou na expectativa de abrir os olhos, na noite que percorro, e ver uma lua cheia e um céu bem estrelado. Engraçado é que eu, muitas vezes, pensava: em Lisboa, como saio muito pouco à noite, nunca me lembro de ir à janela e olhar o céu antes de ir dormir. Agora dedico este gesto à tua mãezinha.

 

        Depois deste pequeno resumo do meu sentir perante uma caminhada tão bela e tão emotiva gostei também de saber mais sobre ti Tininha...

 

        Onde nasceste, o teu casamento com o meu amigo Toy, ver as fotos, as tuas lindas tranças, recordar a linda mulher que eu conheci e que ainda espelha a mesma beleza mas de maneira diferente, a tua família e muito mais, foram benesses que não esquecerei. Na última parte do livro, as palavras que dirigiste à tua mãezinha, o epílogo e a carta do Fernand, (tanto gostei de o rever!) tocaram o meu coração.

 

        Não quero acabar esta pequena mensagem sem te dizer que muito apreciei as tuas N.B. que nos esclarecem muito bem sobre pessoas, lugares e acontecimentos que são mencionados no diário. Em todo o livro sente-se o teu cuidado e esforço para que ele seja um belíssimo testemunho para os familiares e amigos presentes e para as gerações vindouras.

 

        Vamos acreditar que o espírito da tua mãe te abençoa daquele lugar tão lindo em que ela sempre cheia de Fé quis alcançar oferecendo as suas orações, a sua bondade e ainda a sua peregrinação a todos os que estavam no seu coração. As suas bênçãos tanto a pobres ou ricos que com ela se cruzaram são para nós um exemplo. As suas alegrias e penas recebidas com toda a humildade são igualmente um testemunho de Fé e Esperança e mais ainda de uma simplicidade de alma que me tocou profundamente.

 

        Amiga Tininha que mais te poderei dizer? Talvez que sempre gostei de ti e que o meu percurso de tristezas e alegrias, a minha determinação e vontade foram germinadas com as tuas palavras e acções numa altura em que me sentia tão desamparada. Depois de ler este testemunho que deixas em memória da tua mãezinha mais percebo o teu carácter e a tua maneira de estar na vida.

 

        Desejo que possas viver em companhia do Fernand muitos anos de felicidade. Espero também que de futuro o nosso contacto seja um pouco mais assíduo porque os anos correm depressa demais.

 

        Com muita amizade, abraço-te a ti e ao Fernand,

 

 

                                                                                  Aida
:
publicado por criar e ousar às 17:37
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